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Terça-feira, Junho 15, 2004
Meu coração sofre por todos os pais e mães que perderam um filho querido. A verdade é que ouço freqüentemente relatos de pais que passaram por tragédia semelhante, uma família, em particular, ficou gravada em minha memória. Tomei conhecimento de sua tristeza quando o pai me enviou um tributo em memória de sua filhinha Bristol:
Minha querida Brsitol,
Eu orei por sua vida antes de você nascer. No fundo de meu coração, sabia que seria um anjinho. E você foi.
Quando você nasceu, no dia de meu aniversario, em 7 de abril, ficou claro para mim que você era um presente especial do Senhor. E você se tornou uma dádiva mais preciosa ainda! Era mais que um lindo pacotinho de bochechas rosadas, mais que minha primeira filha. Você foi uma alegria indescritível. Você me mostrou o amor de Deus mais do que qualquer outra criatura. Bristol, você me ensinou a amar.
Eu a amei quando você era meiga e linda, quando você começou a rolar a cama, sentar-se e pronunciar as primeiras palavras. Eu a amei no momento da terrível constatação de que havia algo errado ¿ de que talvez você nao estivesse se desenvolvendo tão rápido quanto às crianças de sua idade e, depois, quando compreendemos que o caso era mais serio ainda. Eu a amei quando saímos do hospital e fomos procurar uma clinica especializada em busca de um diagnostico que nos trouxesse um pouco de esperança. E, claro, sempre oramos por você ¿ oramos, oramos e oramos. Eu a amei quando foi retirada uma grande quantidade de fluido de sua espinha para testes e você gritou de dor. Eu a amei quando você gemeu e chorou, quando sua mãe, suas irmãs e eu ficamos acordados ate altas horas tentando faze-la dormi. Eu a amei com lagrimas nos olhos quando, confusa, você mordia involuntariamente os dedos ou os lábios, e quando ficava estrábica a ponto de não conseguir enxergar.
Eu a amei mais ainda quando você parou de falar, e como senti falta de sua voz! Eu a amei quando a escoliose começou a entortar seu corpo, quando colocamos um tubo em seu estomago para que você pudesse comer sem sufocar-se com a comida. Você era alimentada pelo tubo, com uma colherada por vez, e cada refeição chegava a durar duas horas. Eu a amei quando suas pernas contorcidas dificultavam a trocas de fraldas sujas ¿ tantas fraldas, dez anos de fraldas. Bristol, eu a amei mesmo quando não conseguia dizer a única coisa na vida que eu ansiava por ouvir: ¿Papai,eu amo você¿. Bristol, eu a amei quando Deus estava próximo de mim e quando Ele parecia afastar-se, quando eu tinha muita fé e quando estava zangado com Ele.
E eu a amei tanto assim, minha Bristol, apesar de todas essas dificuldades, porque Deus colocou amor dentro de meu coração. Esta é a maravilhosa natureza do amor de Deus: Ele nos ama mesmo quando estamos cegos, surdos ou desfigurados ¿ no corpo ou no espírito. Deus nos ama mesmo quando não podemos dizer a ele que o amamos.
Minha querida Bristol, agora você esta livre! Aguardo com ansiedade aquele dia em que, de acordo com as promessas de Deus, voltaremos a nos reunir com você. Será um dia de completo e total regozijo. Estou muito feliz por você ter recebido sua coroa antes de nos. Um dia, estaremos juntos ¿ no tempo que Ele determinar.
Eu orei por sua vida antes de você nascer. No fundo de meu coração, sabia que seria um anjinho. E você foi.
Com amor,
Papai
Retirado do livro "Historias para o coração" - ALICE GRAY organizadora.